Opiniões

Quais interesses estão em jogo para o desmonte da educação?

Alaim Souza Neto

17.maio | 2019

Podemos afirmar que tudo que está acontecendo com a educação brasileira, em especial, o ataque às Universidades e Institutos Federais, é de fato, de propósito, de caso pensado, e mais ainda, de natureza ideológica e mais que de ordem liberal/neoliberal. Podemos afirmar que o governo do PSL a frente do MEC, primeiramente, o inadequado ex-ministro Velez-Rodrigues, e agora com o guardião do “esquerdismo e petismo”, ministro Abraham Weintraub, têm um sério compromisso ideológico a resolver, atendendo aos interesses de seu guru Olavo de Carvalho.

Weintraub, por exemplo, entre outros absurdos, agora acusa as universidades de “balbúrdia”. Todavia, ao contrário do que prega, promove mais balbúrdia que qualquer “inútil”, de forma propositada, truculenta e sem precedentes no país. De forma irônica e inusitada, assume a satanização à oposição (entre elas, os próprios reitores) e semeia a intolerância política e ideológica. Seus principais alvos são as instituições de ensino federais, mas não diferente está entre seus objetivos desmontar a educação básica e mesmo os programas como FIES, PIBID e bolsas de pós-graduação das universidades privadas e/ou confessionais, caracterizando um ataque à democracia e à soberania nacional.

Tratam-se de estratégias, cuidadosamente, pensadas e implementadas e não obras do acaso que gente tresloucada ou psicopata, como podem parecer os exemplos utilizados para justificar o corte (caso do chocolatinho, da compra da geladeira pela dona de casa), e que encontram muita ressonância com outra ministra, Sra, Damares, ao tratar do Homeschooling, movimento Escola sem Partido, doutrinação ideológica, além de vários outros depoimentos sobre o gênero, religião, mulheres, que consternam qualquer cidadão.

Estamos sim, a começar pelo próprio Bolsonaro, diante de provocadores profissionais e bem doutrinados, instruídos por meio de “Curso de Filosofia” em defesa do ultraconservadorismo, racionalidade essa bem aceita e contemporânea na sociedade brasileira. Não lhes interessa a paz, a união e unidade nacional, a pulverização da polaridade política que nos atormenta há alguns anos. Longe disso, o que interessa em meio a muito ódio, violência e preconceito é a materialização da necessidade de identificar, instigar, segregar e atacar inimigos, como “estratégia militar de sobrevivência”. Não pretendem de modo algum a maioria e muito menos a democracia, pois sua obra se resume a enfatizar todos os dias, pelo twitter e emissoras de TV que os apoiam, seu fundamento “xiita” de abordagem “olavista”. Assim, está entre seus interesses, promover o caos social e político, estimular reações que justifiquem os desmontes, que não será só na educação, bem como promover a privatização em larga escala, nem que seja pelo autoritarismo, além é claro, da violência escancarada, por ordem do Estado ou aquela materializada nas milícias.

No que diz respeito às Universidades, ao afirmarem que elas são uma balbúrdia, fazem emergir inúmeras fakenews, estratégia deliberada deste governo desde a campanha, para desqualificá-las, enfraquecê-las com fim apenas de privatizá-las, estimulando muita revolta não só dos docentes e técnicos-administrativos, mas, sobretudo, dos estudantes. Ao determinar o corte de verbas para as instituições superiores de ensino e pesquisa, deixam claro o quanto estão desorganizados, sem rumo, sem prioridade, sem plano de atuação estratégica, e pior, estereotipam a inteligência nacional.
Ao ameaçar, perseguir e censurar professores, sindicatos, organizações da sociedade civil, minorias, meios de comunicação, produtores culturais e artistas, na tentativa de controlá-los e desqualifica-los, reproduzem mais ainda a insegurança, o medo e o desespero. Assim, vão suspendendo os repasses para escolas rurais de assentamentos de trabalhadores sem-terra; desmontam as instituições de proteção ao meio ambiente; promovem a devastação, o asfixiamento e desmoralização social, além de o repúdio nacional por parte até mesmo de seus eleitores, inclusive, de instituições internacionais; determinam a eliminação do público para entregá-lo ao privado pela terceira via. Tudo acontece tudo em prol da redução de custos, mas midiaticamente informando que se trata da redução das desigualdades sociais.

Como vimos, o desmonte não para e muito menos se reduz à educação. Ele se complementa pela defesa ao armamentismo, autorizando de modo subjetivo os assassinatos, a discriminação e a violência. Se tudo isso for pouco aos olhos de alguns, emerge a reforma da previdência, desumana e precarizando as relações de trabalho. Uma reforma mística em torno do déficit da previdência que serve aos propósitos de escamotear a ausência de qualquer projeto de desenvolvimento econômico e social.

Desse modo, o capital se sobressai à condição humana.
A pergunta que emerge nesse cenário, é quando esse ataque vai parar? Não vai... Ao contrário, terá que ser parado. E como? As forças democráticas e progressistas não podem aceitar esse perverso jogo. Há que se refletir sobre tudo isso. Em meio a esses ataques propositais, há interesses e disputas poderosas. Mas, não estamos sós. Somos muitos e fortes. É hora de nos unirmos e buscarmos os distantes. Mais do que nunca, é necessário termos unidade na luta. Precisamos reagir e rápido. Uma reação inteligente, responsável, propositiva, capaz de alavancar uma frente contra o desmonte do estado, das políticas sociais, do entreguismo, a favor da democracia, do desenvolvimento e da justiça social. É importante avançar com o cuidado de não praticar o mesmo jogo sujo e sem nos rebaixarmos à condição de (in)úteis.

Professor do Departamento de Ciências Exatas e Educação – UFSC Blumenau


 

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