Opiniões

Carta aberta ao jornalista Moacir Pereira

O jornalismo, senhor Moacir, tem a responsabilidade de informar e educar na procura da verdade e da justiça

Rosendo A. Yunes

1.dezembro | 2015

O dia 21 de novembro de 2015 enviei para Senhor a nota publicada no site da APUFSC “Nos todos somos responsáveis do caos universitário e nacional” acreditando que o Senhor lutava pela legalidade, pela justiça, pela ordem  e por um Brasil mais fraterno e humano. Agora observando a “nota de esclarecimento” da Apufsc a respeito de sua opinião do dia 20 de novembro de 2015 com os títulos “Tapetão” e “Na Justiça”, devo confessar que estou totalmente desapontado pelo manifestado pelo Senhor num meio de grande circulação em Florianópolis. Não se pode ignorar a ilegalidade total da eleição do Reitor da UFSC possibilitada pelo CUn e a Reitora Rosalane, a quem o Senhor critica, às vezes, com violência. A Apufsc  tinha indicado essa ilegalidade recorrendo a Justiça desde abril de este ano, muito antes da eleição. O problema está definido: A lei é ditada pelo CUn da UFSC ou pelo Congresso da Nação?

O jornalismo, senhor Moacir, tem a responsabilidade de informar e educar na procura da verdade e da justiça. Tem igualmente a função de humanizar, isto é, de fazer crescer as pessoas em sabedoria, bondade e valoração do outro.  Conhecemos o problema da despersonalização da sociedade causada por um sistema econômico-social que estimula não a capacidade de pensar , ou de ser mais humano, mas a capacidade de comprar, de ser menos humano.  É o fenômeno do homem massa que abre as portas para o totalitarismo de qualquer signo. Em principio não acredito, mas o senhor  parecia estar favorecendo o desrespeito pela lei justa que ordena as eleições nas universidades federais.  Parecia não gostar da lógica hierarquia que existe na universidade e que é reconhecida pela lei. Parecia que não gosta da participação da justiça para reparar uma ilegalidade total, participando assim do caos em nossa universidade e no país. Dai decorre a necessidade de seu esclarecimento.

A professora Rosalane foi eleita Reitora pelo exclusivo predomínio  do voto dos alunos que são uma parte do eixo fundamental da universidade,  o novo reitor teria sido eleito pelo predomínio total dos funcionários e já conhecemos,  pela historia de nossa universidade, o que significa um reitor funcionário-dependente. Os professores, por meio da Apufsc,  sua legitima representante, queremos colocar um limite a esta falta de respeito a jerarquia universitária, porque a universidade é um organismo hierarquizado pela competência acadêmica e não se pode alterar isto sem grave prejuízo para a sociedade da qual depende.

Espero que o Senhor retifique sua opinião, contribuindo para que todos possamos saber que devemos proceder dentro da legalidade e da verdade e não por interesses que nada favorecem a vida social.   Ortega e Gasset , o filosofo espanhol que foi o primeiro a visualizar o problema do homem massa, em seu livro “La misión de la Universidad” explica que a Europa do ano 1930 estava de cabeça para baixo e pés para cima fazendo piruetas no alto, porque a opinião publica tinha deixado de ser orientada pela Igreja,  e o Estado passou a ser governado pela opinião pública, que era orientada por “alguns jornalistas”, não todos, incompetentes, ignorantes que acreditavam saber tudo.  A imprensa apareceu como único “poder espiritual”.  Seu produto: duas guerras mundiais e as violentas ditaduras de Europa.

 Ortega falava que era um problema de vida ou morte para Europa retificar a situação e para isso devia a Universidade intervir na atualidade como tal, orientada pela procura da verdade, tratando os grandes temas do dia desde o ponto de vista cultural, profissional e cientifico  o mais objetivamente  possível.

A vida real é pura atualidade, mas a visão jornalística com frequência reduz o atual ao instantâneo, ao ressonante, destacando o que é sucesso ou fracasso. Atualmente o Brasil esta de pês para cima e cabeça para baixo.  A Universidade tem cada dia mais a grave responsabilidade de transformar-se na consciência critica da nação, intervindo na atualidade, ensinando a pensar para humanizar e superar os problemas existentes. Para isso, na eleição de Reitor, deve-se respeitar a legalidade e a universalidade hierárquica da competência acadêmica.
 
*Rosendo A. Yunes
Professor  Voluntario
 

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